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16 de outubro de 2009

Palavra

Espada afiada, certeira.
Se não mata deixa cicatriz profunda.
Exata.
Fim súbito da respiração.
Do coração.
Corpo gelado.
Morte cortante. Pontual.

Patricia Cytrynowicz

1 de setembro de 2009

Rodas em Campinas


[foto: Alexandre Toresan]


Terminamos nosso encontro de leituras e reflexões no SESC Campinas com a mais intelectual das disputas já travadas por dois seres humanos. De um lado, o escritor Marco Antonio, estratégico, frio e experiente. De outro, o quadrinista, artista plástico, professor e comics, Alan, sanguíneo, cheio de testosterona, vibrante e sedutor. Façam suas apostas. Fácil dizer quem irá ganhar. Lembrou-me um conto do Patrick Süskind (aquele mesmo do romance “O perfume” que vendeu 15 milhões de exemplares em 40 línguas). Um forasteiro chega a uma cidade do interior alemão. Na praça central, adultos jogam dominó e xadrez. Crianças correm entre pássaros com seus dentes reluzentes. Aliás, o campeão de xadrez da cidade está lá, arrasando com mais um coitado. O forasteiro desafia-o. A cidade entra em comoção. Circulam ávidos em torno dos dois gladiadores estrategistas. As apostas correm soltas. Apesar de toda fama do campeão, todos apostam no forasteiro. O cara tem estilo. É quase moreno. Quase um Delon.

Chave de ouro: O forasteiro é derrotado de forma rápida, sistemática e incontestável. Sorrisos amarelos confundem-se com as cabeleiras esvoaçantes.

civilização

no princípio era
o ovo
o pássaro
o vôo

agora a um passo
precipício
avião sangrando
o poente
indiferente

enjôo


[poema quentinho de Edson Cruz]

31 de agosto de 2009

revelação

tenho uma certeza
uma epifania pessoal
— quase religiosa —
o caminho que escolhi
é o melhor
— entre os caminhos —
é o melhor,
pois foi o que escolhi.

tenha uma certeza
apesar da convicção
que me anima
— quase fanática —
não estou disposto a

enforcar
apedrejar
jogar bombas
atirar
exterminar
abraçar com morteiros no culote
embargar economicamente
eliminar
civilizar

ninguém,
por não compartilhar
de meu júbilo
de minha sina solitária.


[poema recente de Edson Cruz]