Mostrando postagens com marcador Leveza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leveza. Mostrar todas as postagens
4 de novembro de 2009
16 de outubro de 2009
Palavra
Espada afiada, certeira.
Se não mata deixa cicatriz profunda.
Exata.
Fim súbito da respiração.
Do coração.
Corpo gelado.
Morte cortante. Pontual.
Patricia Cytrynowicz
Se não mata deixa cicatriz profunda.
Exata.
Fim súbito da respiração.
Do coração.
Corpo gelado.
Morte cortante. Pontual.
Patricia Cytrynowicz
Marcadores:
curso de criação literária,
edson cruz,
Leveza
25 de setembro de 2009
o sândalo que escorria do homem
- Estou lúcido e louco.
Gritou o homem que, sentado no canteiro da Conselheiro Furtado, brilhava e suava sândalo.
O cheiro, sem pretensões, disputava as narinas dos passantes, com o aroma de merda-seca que subia do Glicério ao meio-dia. Os que paravam ao seu lado tapavam o nariz e o olhavam com nojo, sem distinguir de onde, exatamente, vinham as fragrâncias que se misturavam. Somente quando atravessou a rua e seguiu, sentido Praça da Sé, é que puderam notar aquilo que um rapaz de terno e bíblia sob o sovaco gritava.
- Esse homem tem o cheiro de Deus!
Metros mais tarde, livre do autoproclamado apóstolo, o homem, de poucos mais de trinta anos, retrucou para o grupo de senhoras que, encantadas com seu perfume, lhe ofereceram um marmitex e a palavra de Deus.
- Me dão comida e asilo, e tudo o que eu quero é ser herói da dança flamenga.
Reclamando do sal, do excesso, ou da falta, deitou-se de bruços, diante de uma lanchonete na Tabatinguera, como se quisesse comungar com o calor que vinha de baixo para cima e assava as virilhas de quem usava saia para se refrescar.
Com uma mão no asfalto e a outra na calçada, o homem cuja mandíbula não havia um único dente e que ainda exalava sândalo, mesmo depois de ter o peito e o pinto encharcados, dragou a água sem cor e com cheiro que descia a valeta.
Satisfeito, molhou o rosto, sacudiu a barba e ante a rua que quase duvidava da cena, talvez pelo odor, talvez pelo ato, o homem levitou.
Voou sobre a João Mendes, sobre o adro da Catedral e por cima dela. Parou metros acima das escadarias da entrada, dos pivetes que o apedrejavam, dos guardas e de suas ordens de prisão.
- Me chamam de Jesus, e sou inocente.
Foi a última coisa que disse sobre a praça de lírios, e antes de sumir rumo ao sol.
Tiago Araújo
Marcadores:
Leveza
Levedura de Cerveza
Era um saco cheio de palavras, só e nada mais
Curioso, alguém intenso e corajoso abriu
Surpresa! Quase por inteiro ele sorriu
De dentro amontoadas, as letras mudas, nunca iguais
Um tal de A, um B, um C, várias vogais
Era tanta letra que do saco dava um barril
Juntando uma coa'outra e outra co'uma ele pariu
Uma palavra, uma frase, um conto, letras demais
Um acadêmico diria: isso tem de estar nos anais
Um lunático afirmaria: cadê palavras, tudo sumiu
O escritor escreveria: nada disso, você que nao viu!
E o aprendiz revelaria: são só palavras e nada mais
[Marcos RoMa]
Curioso, alguém intenso e corajoso abriu
Surpresa! Quase por inteiro ele sorriu
De dentro amontoadas, as letras mudas, nunca iguais
Um tal de A, um B, um C, várias vogais
Era tanta letra que do saco dava um barril
Juntando uma coa'outra e outra co'uma ele pariu
Uma palavra, uma frase, um conto, letras demais
Um acadêmico diria: isso tem de estar nos anais
Um lunático afirmaria: cadê palavras, tudo sumiu
O escritor escreveria: nada disso, você que nao viu!
E o aprendiz revelaria: são só palavras e nada mais
[Marcos RoMa]
Marcadores:
Leveza
Despertar
Hoje acordei tão ontem!
Perdi a noção das horas
E do homem que já fui.
Acordei tão eles. Tão vocês.
Venham, vamos voar
Ensaiar o passo das nuvens.
Me chamem de vento!
Quero chutar o sol
E beber do mar.
Hoje acordei antes do dia
Antes dos tempos.
Ao leste do leste é meu lar.
Tenho corpo etéreo
E alma eterna.
Vivo e desvivo lá e cá.
Eu sou a brisa de Deus
O lírio do campo
Eu sou a pena do sabiá.[poema de Eduardo Sigrist]
Marcadores:
Eduardo Sigrist,
Leveza
Assinar:
Postagens (Atom)